Dermatopoliomiosite: nome complicado para uma doença de causa desconhecida vulgarmente denominada de "auto-destruição". Consiste num processo de degeneração dos tecidos, paralisando primeiramente os músculos dos membros, depois os do tronco, até culminar, na maior parte das ocorrências, com a parada cardiorespiratória.

Pois é. Foi essa doença que vitimou Ana Carolina Scampini Siqueira Rangel quando ela tinha apenas seis aninhos. Das dores nas pernas, passou a ter os movimentos restringidos com o enfraquecimento da musculatura, chegando ao ponto de não andar.
Os pais de Ana, médicos, receberam o diagnóstico feito com base em um biópsia da musculatura e tiveram conhecimento, naquela época, de que a medicina tradicional não apresentava solução para o caso. As informações que obtiveram na Universidade de Campinas (Unicamp) foram ainda mais pessimistas: a dermatopolimiosite, que atinge principalmente homens em idade mais avançada, levava a maior parte dos acometidos ao óbito, especialmente em se tratando de crianças do sexo feminino.
Segundo a mãe de Ana, Ana Elisa, os pais enxergaram uma luz no fim do túnel. A partir de uma palestra realizada no Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória, ficaram sabendo de um tratamento alternativo chamado, na ocasião, de Abordagem Direta do Inconsciente (ADI) – hoje denominado de Terapia de Integração Pessoal – pesquisado pela psicóloga Renate Jost de Moraes, de Belo Horizonte, com cuja equipe Ana começou a se tratar. Em dois meses, o tratamento paralisou a patologia e deu início à regressão da doença. Depois, e finalmente, a cura ! Restaram, porém, sequelas, como as restrições físicas decorrentes da falta de força muscular e a deformação do corpo resultante do uso de corticóides. Submetendo-se a uma alimentação balanceada e a uma terapia, Ana já havia, aos 13 anos de idade, se recuperado quase que completamente.
Em março deste ano (2000), para dar o último passo ao rumo à recuperação total, Ana se matriculou na musculação na Renata Pacheco Fitness&Arts, mesmo diante do temor que sua mãe tinha de que ela não conseguisse responder à atividade. Por meio de uma avaliação física, os professores Lara e Fábio Venturim detectaram uma leve dificuldade de coordenação motora e fraqueza na musculatura, principalmente das mãos e da coluna vertebral.
Mas Ana superou todos os obstáculos e, atualmente, faz exercícios inclusive utilizando pesos, nas duas horas diárias de malhação. “Sinto-me 100% curada, com a musculatura bem mais flexível e mais forte. Recuperei até mesmo a sensibilidade que não tinha em algumas partes da perna”, afirmou. Na sétima série do ensino fundamental, ela também se dedica hoje ao estudo de piano e faz planos para se tornar médica, como os pais. Elisa frisou que “o trabalho sério e bem feito e o incentivo do professor Fábio e do estagiário de Musculação Valber Thomasi Hemerly foram fundamentais para a regeneração de um organismo que se encontrava totalmente debilitado”.