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O renascer da vida humana
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Renate Jost de Moraes |
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Toda mãe sabe o quanto é bom ser mãe e somente ela o sabe. Isso, porque a experiência do amor de mãe e indefinível, pessoal e intransferível. E é também inesquecível. É algo de grandioso e inexplicável que existe nesta criatura paradoxalmente, tão pequena e indefesa. Ela irradia paz, promove a união conjugal, atraí para o sentido existencial. Há nela algo que eleva, que harmoniza, que nos fala pelo silêncio e pela quietude de um suave permanecer em nossos braços. Parece dizer-nos, então, que Deus existe e que Ele, apesar de tudo, ainda não se cansou de nós . A mulher se transforma. Antes, pelo raciocínio frio, podia até não querer a gravidez. Mas agora não é a gravidez que vê, e sim o milagre da vida, o fruto do amor, enquanto observa aquelas minúsculas mãozinhas mexendo-se com tanta presteza, enquanto percebe aquele olhar sereno que se fixa na mãe como quem diz o quanto a ama, enquanto sente o sugar enérgico em seu seio, como se seu filho fizesse questão de mostrar que já sabe fazer algo por si, que é ser independente, de vontade própria . Sim, porque quando não há amor na fase da gestação, a criança pode não sugar e rebelar-se, adoecer, morrer, porque assim decidiu, mantendo-se sem voltar atrás, mesmo que seus pais mostrem arrependimento e tudo façam para mantê-la viva. É isso que nos prova o inconsciente, quando diretamente abordado, como se faz pela pesquisa de campo do Método de Abordagem Direta do Inconsciente (ADI) . Prova-nos, o inconsciente, que a fase de gestação é a mais importante para o futuro do ser humano, para o seu equilíbrio psíquico e para a saúde física, para a sua vida relacional, a boa escolha profissional e mais adiante, para a vivência conjugal e familiar. De fato, a criança como ser pessoal, já se mostra consciente de si, desde a concepção, mesmo antes da fecundação. Ela existe, sabe se é homem ou mulher, assiste ao ato de amor de seus pais que a gerou, percebe tudo e pode agir sobre si, sobre os gametas que a formam, sobre o código genético que está recebendo de seus ancestrais. Em 30.000 pacientes pesquisados, isto se confirma. Sem exceção a criança vê-se completa na forma de uma corporeidade não física, que chamamos de Eu-Pessoal e olhando de cima, ou de fora. Observa então a união de seu óvulo com o espermatozóide único, que identifica entre os outros milhões. Ela descreve os seus gametas em relação aos gametas- padrões. Ela diz meu óvulo endurece a camada externa, para não deixar o espermatozóide entrar. E sofre com isso, sua, se angustia, até o momento em que verifica que a mamãe agora se abre ao ato de Amor e o espermatozóide consegue penetrar. Ela sente-se sempre como fruto dos dois, pai e mãe e busca, com ansiedade existencial o amor conjugal deles, pois precisa sentir-se resultado dessa união. E ela julga, porque conhece o Amor, uma vez que se sente vinda do Amor Infinito. No julgamento pode decepcionar- se e, então, reagir. A reação é um posicionamento que a criança assume, posicionamento que na terapia expressa com o que chamamos de frase-registro. Essas frases, resultantes, não dos fatos, mas de sua decisão, transformam-se em condicionamentos, e depois são acatados pelo cérebro, na forma de ordens cerebrais e lançadas sobre o todo psico orgânico da pessoa-criança . Assim: a criança, nos primeiros meses de gestação pode perceber que os pais não a querem, decidir que sua vida não tem sentido e movimentar seu corpo para enroscar no pescoço o cordão umbilical, visando sufocar-se. Se sobreviver, provavelmente será criança de freqüentes doenças localizadas na região do pescoço ou nas vias respiratórias. Toda vez que os pais fizerem algum gesto capaz de acionar na memória inconsciente o registro negativo original, a criança repetirá suas reações de útero materno e externará desequilíbrios ou doenças. Por outro lado, a criança que percebe a mãe negando-se sexualmente ao pai, entende isso como um ato de desamor da mãe e pode então, ter várias reações típicas: se for mulher, identifica-se á mãe que não ama, e pode decidir também não amar. Mas o fechamento para o amor é muito grave no entendimento perfeito da criança. Por isso se essa mulher algum dia tiver uma filha, pode ela repetir por exemplo, em 2ª geração, o gesto de seu desamor, expressado em relação ao mundo, na forma de um quadro de autísmo. Se a criança for homem, ao ver seu pai desprezado pela mãe, também poderá formular o seu conceito para os homens são rejeitados pelas mulheres ou para as mulheres não sabem amar, ou eu não sou amado. Em função desse desamor da mãe pode ele beber líquido amniótico, porque experimenta que tal líquido amortiza este sofrimento e, mais tarde, torna-se alcoólatra, quando acontecer que sua esposa repita o mesmo gesto da mãe de rejeição sexual a ele. O registro já estava nele, mas inativo e a mulher agora o aciona. Recentemente uma jovem que não anda, foi trazida no colo para o nosso tratamento, para curar a sua distrofia muscular. Pelo inconsciente viu que os pais, quando descobriram, no 2º mês de gestação, a gravidez, não a queriam. A menina, portanto, formulou a frase não devo existir, não vou mexer com as pernas porque não vou andar. A seguir descreve como agiu fisicamente para provocar a distrofia, falando em linguagem leiga, mas real em relação ao que aconteceu. Estes pais, alem da rejeição à criança, discutiam muito e a menina, concluindo que também eles não se amavam, foi ampliando a distrofia muscular para o corpo todo. Repentinamente, em uma fase mais adiantada da gravidez, os pais passam a entender-se melhor e resolvem assumir juntos a criança, providenciando o enxoval infantil. A criança arrependeu-se e queria fazer reverter a distrofia, mas tudo que consegue é estacioná-la, o que sempre foi considerado surpreendente pelos médicos que cuidaram dela, pois o estacionamento não e comum na distrofia muscular progressiva . Vê-se que o relacionamento entre os pais é fundamental para a criança, pois simboliza a estrutura básica de seu ser. Se a mãe rejeita seu marido, a criança pode fazer o registro eu sou pela metade, expressando isto no comportamento de não terminar o que inicia, tendo organicamente insuficiências e até mesmo, apenas um rim ou um pulmão - como já aconteceu. Se os pais não ouvem o que a criança mentalmente comunica, por exemplo, que é homem ou que é mulher, e se desejam o oposto, a criança pode agredir seus órgãos genitais, gerar transtornos hormonais, indefinir seu comportamento sexual, porque deixa-se comandar pelo condicionamento da frase eu não posso ser o que sou ou eu não sou o que sou ou eu sou indefinido e até eu não sou gente, porque não sou nem homem e nem mulher. As frases registro negativas do inconsciente são sempre únicas para cada criança e assim também a forma como se expressam vida a fora. Tudo se passa como se no inconsciente estivessem as raízes e os troncos de uma árvore com variada copa de sintomas. Essas frases, só o próprio inconsciente do paciente consegue ligar às causas primeiras, mas com precisão de tempo, hora, minutos, segundos... Em todos os fatos de desequilíbrio de nossa natureza física ou psíquica, há sempre um registro inconsciente, principalmente na fase de gestação, ou na primeira infância. O referencial para gerar tais registros resume-se no triângulo que deveria ser a base de sustentação familiar: Amor entre os pais e destes para com os filhos. Esse triângulo, conforme seja de amor ou desamor, resume a essência de nossas saúde ou doença, do bem estar ou do desequilíbrio psicofísico, mesmo das enfermidades sociais. Tudo isso pode ter hoje solução. Mas, não a partir de técnicas externamente aplicadas ao paciente, nem através de medicamentos pelos quais se tenta inutilmente bloquear todos esses sofrimentos, mas que raramente podem, de fato, promover a cura. As soluções e a cura estão no próprio inconsciente humano e naquele mesmo local onde se acham as auto-programações negativas. É preciso levar o paciente a uma reformulação do código inicial que criou a raiz do desequilíbrio ou da doença que o paciente hoje sofre. É necessário que o paciente assuma um novo posicionamento diante dos fatos que fizeram-no criar aquele código doentio, que se abriu em leque para muitos sintomas, de toda ordem, física, psíquica e humanística ( noológica). Somente a própria pessoa pode realmente se curar. A medicação ajuda, mas apenas age sobre os sintomas. A orientação psicológica leva a entender e, quando bem feita, auxilia a conduzir o paciente a querer realizar mudanças dentro de si. Esse querer significa uma mudança de atitudes do paciente não o simples uso de técnicas. Reside no nível humanístico do Eu-pessoal que é livre e capaz de agir sobre o todo psico-físico de si mesmo. Quando se entende essa realidade, também os problemas relacionais se transformam. Se o casal com filhos-problemas entender que os filhos projetam em seu ser e em sua vida o que inconscientemente encontram nos pais e no relacionamento conjugal, terão então grande motivação para quererem se ajustar. O casal pode compreender, então, pela memória absoluta do inconsciente, que nos problemas conjugais não estamos diante de pessoas que já não se amam mais, ou, diante de um marido ou mulher culpados, ou ainda, diante de um casamento que não deu certo mas simplesmente diante de um relacionamento difícil, porque tanto o homem quanto a mulher projetam nele as vivências de sua infância com seus próprios pais. É o mecanismo inconsciente de repetição que atravessa gerações. Graças à dimensão humanística, no entanto, que foi esquecida pela ciência, mas que o inconsciente cientificamente pesquisado traz à tona, somos hoje capazes de fazer diagnósticos precisos pelos registros inconscientes e de decodificar mesmo cargas de problemas de dezenas de gerações, que estão em nos e que tendemos a retransmitir . Somos capazes hoje também de reestruturar a família, em seu relacionamento em sua saúde e, daí, a sociedade. Podemos hoje caminhar com recursos reais e seguros para a cura de enfermidades sociais ou de doenças incuráveis. Pelo inconsciente, podemos também reduzir e até eliminar, as violências e a guerra, pois tudo isso tem em si a presença de códigos acumulados, repetidos e intensificados, através das gerações. Entretanto há um preço a pagar: a mudança de atitudes, que por sua vez, significa abrir mão do ódio, da mágoa, do egocentrismo, pois estes sentimentos prejudicam o organismo e o psiquismo de quem os alimenta, conforme, prova nosso inconsciente. É preciso re-aprender a amar. Mas amar autenticamente, querendo não apenas bem ao outro, mas o bem do outro. Pois se resumirmos até a ultima instância todos os problemas da humanidade, encontraremos a palavra desamor. E se formos até a essência das soluções, lá encontraremos a palavra AMOR... |